Saturday, March 01, 2008

Moscovo no Dia de S.Valentim

"Mais vale tarde do que nunca..."
Esta viagem ja ocorreu faz duas semanas, mas ainda vai a tempo de preencher um post.
O voo de ida nao teve estoria. Apenas o facto da chegada ao destino se fazer com duas horas de diferenca no novo fuso horario, ja depois de quase uma hora de atraso na partida. Sem surpresa constatei que o tempo nao mudara muito desde a ultima vez [que foi tambem a primeira], e que a neve preenchia quase todos os espacos em redor da estrada. Mais uma vez o cheiro a alcool [etilico, puro!] que ja havia percebido tratar-se da engenhosa alternativa ao normal liquido para limpar os vidros, contra a formacao de gelo no para-brisa. Hora e meia no transito cada vez mais caotico e tipico de Moscovo, nao interessa se na 2.a ou 3.a radial exterior, se no coracao da cidade [se bem que ainda nao foi desta que passei em frente ao Kremlin...].
Vale a velocidade e engenho [loucura?!?] do motorista da empresa, recrutado ainda como taxista para esta importante funcao de escoltar 'dignatarios' estrangeiros [hihihihi] pelos meandros desta grande cidade. O ingles nao e o seu forte, mas nada que um aperto de mao de uma cara conhecida nao resolva. Uma vez mais nao fui so para esta viagem, numa tentativa mais ou menos forcada de criar uma transicao do 'velho' para o 'novo', suavizando o 'choque' que a 'curva de aprendizagem' invevitavelmente ira causar...
Assim chegamos ja de noite ao hotel, felizmente o mesmo 'santuario' da vez anterior, e tambem o mais recomendavel 'cantinho' de entre outras alternativas que os meus colegas tambem ja aqui
experimentaram. Ao menos contar com uma nota de conforto em viagens destas. Algo que o cartao de credito tera de suportar ate que o ciclo se complete, no emaranhado burocratico de despesas e reembolsos.
Depois de uma leve preparacao para o dia seguinte, a mesa de jantar, uma nao-tao-leve habituacao ao fuso horario e a necessidade de quase forcar o cansaco a intervir duas horas mais cedo que o normal. Afinal os dias seguintes afiguram-se preenchidos, e de certa forma o 'fantasma' da nova responsabilidade persegue-me desde que esta reuniao de 4 dias foi inicialmente agendada...
Acordado para o primeiro dia, tempo de voltar a companhia do nosso motorista na direccao do escritorio, sito numa zona ja residencial, fora do centro, nem por isso com menos movimento. O inicio do dia faz-se de salamaleques e 'ala que se faz tarde', ha que iniciar as 'hostilidades'. Depois de um almoco na 'cantina', onde imperam invariavelmente os pratos de 'rabbit' vs. 'beef' [assim o dizem...], tempo para a versao vespertina da 'reuniao', entao sim transformada em 'discussao'.
Ao fim do dia, o cansaco de uma longa sequencia de argumentos e contra-argumentos em ingles de varios sotaques, que ali ninguem era nativo de um ou outro pais que tenha essa lingua por materna [se bem que os ingleses costumam dizer que os americamos sao o unico povo do mundo que nao sabe falar ingles...]. O jantar de 'cortesia' foi [talvez por isso ?!?] mais silencioso que o esperado, pois lembro na vez anterior uma alegre combinacao de vodka e vinho a ser 'regada' por piadas e estorias de outros tempos. Talvez dessa vez a falta de inibicao fosse extraordinaria, ao contrario do 'presente'... A conversa de circunstancia la tomou o seu lugar, por entre fugazes comentarios acerca da situacao do pais ou da 'nossa' industria, sempre facil de gerar conversa.
De regresso ao hotel, com consciencia do 'peso ' do dia, tempo ainda para uma bebida no bar do hotel, estranhamente 'povoado' numa 3.a a noite, e a surpresa de um outro colega se juntar a 'tertulia' de expatriados na 'cidade vermelha' [sera que ainda se pode dizer isto?], esse sim um verdadeiro 'habitue' das andancas russas...
No dia seguinte, nova bateria de reunioes, desta vez com a agravante de que o meu colega vai de regresso a tarde, o que me deixa na nao muito confortavel posicao de 'one-man-show' durante meio dia. A noite entao chegam outros colegas, novos 'actores' da mesma 'peca de teatro', mas na qual eu nao me livro de participar em cada 'cena'... Enfim, valeu entao o facto de 'despachar' mais uma discussao, e ainda de conhecer um personagem fluente na lingua portuguesa [dos tempos em que o jornal 'Avante' tinha grande tiragem e em que Russos e Portugueses viajavam e permaneciam longas temporadas num e noutro pais, ou nas ex-colonias, como fruto da politica entao vigente]. O jantar foi desta feita 'informal', apesar de devidamente organizado a pensar nos colegas que chegavam e nos que vivem na cidade. Uma oportunidade para a confraternizacao em holandes [a maioria] com um cantinho portugues a salpicar as conversas em ingles.
Dia de S. Valentim.
Foi, sem duvida, de descompressao individual face a agenda dos dois dias anteriores, mas nem por isso menos preenchido. Valeu a presenca da 'task force' chegada no dia anterior, e nova combinacao para jantar desta feita num restaurante Libanes em plena Moscovo. Existe algo de caricato em celebrar uma noite que se quer romantica num restaurante que oferece como entretenimento principal um espectaculo de danca-do-ventre !
Mas nao pensem que o restaurante nao estava a abarrotar de casais, fosse de que natureza fosse, carregando ramos de flores para tras e diante... E caso para pensar se nao ha razao para juntar o 'util' ao 'agradavel', mas deixo ao vosso criterio a associacao de ambos os termos ao cenario em causa.... [hihihi]. Para completar o quadro, a neve nao parou de cair la fora durante todo o jantar, enchendo de branco as janelas daquele recanto 'perdido' do Medio Oriente.
Ficam ainda as estorias divertidas de regresso ao hotel: numa noite 'apinhados' num Lada, com receio que fosse rebentar pelas costuras no meio de cada curva e contra-curva do motorista; e noutra noite de 'boleia' mas com um elemento em excesso, o que relegou um dos 'convidados' para a mala do carro...
A viagem terminou no dia seguinte, com horarios diferentes para o regresso dos participantes, e passando novamente pelo transito da metropole depois de almoco, nao sem antes experimentar uma apreciada variante no menu da 'cantina': salchichas!
Acabou por ser um dia mais comprido que o normal, ao recuperar duas horas no fuso horario de origem, a iniciar um fim-de-semana mais curto que o habitual em face do calendario da proxima viagem, e adiando esta publicacao para dias mais tranquilos...
Saudacoes,
The Flying Expat

Friday, February 01, 2008

Novo mes, novos posts

Mais uma declaracao de intencao, eu sei...
Mas este mes de Fevereiro terei de facto mais sobre que escrever! A questao vai ser o timimg de passar as [eventuais] 'estorias' para o 'pequeno ecran' [nao, nao estou a falar da TV...].
Para ja, o 'schedule' apresenta os seguintes destinos: Moscovo [a estadia mais longa], Varsovia, Budapeste e Sofia. Nao ha fome que nao de em fartura!!!

Saudacoes,

The Flying Expat

Saturday, January 12, 2008

Siga...

Novo ano e sinonimo de recomeco, mesmo que pelo trilho da continuidade, e reavaliacao [ou confirmacao] daquilo que esta, ou deveria estar para vir.
Na azafama das ultimas semanas, em parte positiva fruto do tempo passado com a Familia a Amigos [nao todos, infelizmente...], mal deu tempo para aperceber da mudanca no calendario, tal a premencia de outros assuntos que nao se compadeciam com o acerto do mes e ano, mas sim com a data limite da estadia. Assim se passaram dias preenchidos com trabalho fisico e mental, que de ferias e descanso verdadeiramente pouco tiveram, salvo os 'encontros' [bem hajam!] acima mencionados.
E e por ai que dou por mim a iniciar uma pequena lista de objectivos para o ano que se segue, no contexto de uma realidade de expatriamento que dificilmente mudara [nos proximos 365 dias], mas sabendo que ha sempre algo passivel de melhorar, apesar da ja mencionada 'continuidade'.
Assim, traco os seguintes objectivos:
  • prioridade a maxima "mente sa em corpo sao" - o ano de 2007 foi de facto muito interessante, uma vez mais, quer a titulo pessoal como profisisonal. Mas nao posso ignorar os desequilibrios que nao raras vezes assolaram o meu dia-a-dia, em parte fruto das circunstancias, mas tambem assumidamente por uma atitude por vezes menos assertiva aquando de optar por utilizar a palavra "NAO" [em holandes, "NEI"]. O uso 'razoavel' desta palavra, de forma mais recorrente, em conjunto com um horario mais equilibrado [e porque nao, mais 'holandes'], levara com certeza a saudaveis sessoes de exercicio fisico, a tempo e horas, de forma manter o ansiado equilibrio [assim o espero!];
  • abertura de espirito no contacto com novas pessoas e realidades ["keep an open mind"] - por natureza nao me considero preconceituoso, mas todos temos alguma tendencia a cimentar determinados pontos de vista, ainda mais se habituados durante algum tempo a ter uma visao 'global' mas simultaneamente 'distante' das coisas, perdendo [apesar de nao intencionalmente] um pouco da perspectiva de como as mesmas de facto se processam. Numa nova funcao, que me obriga a contactar com novas pessoas e realidades, espero ter o discernimento e a humildade para 'descer a terra' quando necessario, de forma a poder partilhar ideias e pontos de vista, e quem sabe assim aprender um pouco mais acerca daquilo que se passa a minha volta;
  • "regresso as origens" - a antecipacao das ultimas ferias, e a 'confirmacao' veiculada pelo convivio com amigos e familiares, e pelo bem-estar da presenca em 'lugares comuns', reforcou a ideia de que e preciso regressar mais vezes, e saborear tanto quanto possivel de tudo o que ai se respira e vive. Um expatriado nao e verdadeiramente um cidadao do mundo, mas sim um cidadao no mundo, que tem sempre uma origem algures;
  • "porta aberta" - no sentido inverso, estarei na expectativa de ser surpreendido tantas vezes quantas for possivel na minha 'casa-longe-de-casa', tal como ja aconteceu nos anos anteriores. A bem das 3 maximas anteriores, sejam benvidos ao "Hotel M" em nome do equilibrio e do bem-estar, para conhecerem novas realidades e, nao menos importante, de forma a trazerem e partilharem um pouco da vossa bendita 'Portugalidade'.

Que os vossos sonhos se concretizem em 2008,

The Flying Expat